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Leandro Karnal apresenta
Jesus: o homem que dividiu o tempo
Pilatos quis encerrar um caso. Inaugurou uma era.
Um artesão de língua aramaica, de uma aldeia de duzentas pessoas na periferia do Império Romano, foi executado numa sexta-feira que ninguém anotou. O dia em que nasceu, ninguém anotou também. Mesmo assim, dois mil anos depois, o mundo inteiro conta os anos a partir dele. É desse intervalo que trata Jesus: o homem que dividiu o tempo, palestra de Leandro Karnal.
No palco, Karnal divide a cena com o religioso que ele foi. Um prega o Natal diante do presépio. O outro tira a estola e pede fontes. Os dois discutem a noite inteira: quando ele nasceu, em que língua rezava, como foi julgado, e a pergunta em que nunca vão concordar, desde quando é Deus. Do presépio ao túmulo vazio, a plateia canta, responde e entra na cena. Perto do fim, um velho inquisidor de Dostoiévski prende Jesus e pergunta por que ele voltou.
A apresentação parte do novo livro do autor, publicado pela Record. Karnal atravessa esse território de uma posição singular: conheceu Jesus pela fé e voltou a ele pela História. Sem usar a História para desqualificar a fé, nem a fé para dispensar a História. Ninguém nunca viu o rosto de Jesus: cada século pintou o seu e, ao pintar, revelou também alguma coisa de si. Uma noite para quem tem fé e para quem não tem.
Sobre Leandro Karnal
Historiador, doutor em História pela USP, estudou a institucionalização da Igreja cristã e o teatro religioso do século 16. Autor de Teatro da fé, Crer ou não crer e Santos fortes, é um dos nomes mais requisitados do país em palestras e debates.


