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CARMINHO
A grande voz do fado contemporâneo está de volta ao Brasil. Carminho sobe ao palco do Vivo Rio para uma apresentação única na cidade. Em turnê mundial, a cantora portuguesa mostra ao público as canções de seu sétimo álbum, “Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir” (lançado em 2025 pela Sony Music). Carminho se debruça sobre um repertório que evidencia sua fase mais autoral, de forte viés feminista.
O show traz canções que marcam esse novo ciclo, como “Balada do país que dói”, “Lá vai Lisboa”, “Pela minha voz” e “Saber”, esta última com participação de Laurie Anderson no álbum. Carminho percorre os caminhos da alma humana, que congrega vários sentimentos ambíguos. Essa ambiguidade fica clara logo no título do álbum. “Morre-se muito de amor no fado, mas poder resistir é algo que me interessa e me interessa cantar”, diz ela. “Neste trabalho, fui muito inspirada pela mulher, pela ideia de que a mulher ocupa um lugar central como intérprete, mas que existem muitas narrativas paralelas, mesmo ambíguas, dentro da própria mulher”, acrescenta.
No palco, o fado ganha novas camadas sonoras. Instrumentos tradicionais, como a guitarra portuguesa e a viola de fado, dialogam com guitarra elétrica, Mellotron, Vocoder e Cristal Baschet, ampliando o espectro estético do gênero. A artista também revisita influências que marcaram sua formação, como Maria Teresa de Noronha, Beatriz da Conceição e Teresa Siqueira.
Entre as referências do novo trabalho estão duas mulheres pioneiras da experimentação sonora: Annette Peacock, figura central na fusão entre jazz, rock e eletrônica desde os anos 1960, e Wendy Carlos, responsável pelas trilhas de Laranja Mecânica e O Iluminado.
“Essas mulheres tiveram um papel admirável ao experimentarem novas possibilidades de uso das vozes femininas. As duas mostraram que as mulheres e as suas vozes podem romper padrões. Isso fica claro quando uso o Mellotron e o Vocoder. É como se cada apresentação da minha voz revelasse diferentes estados de espírito, diferentes mulheres e até diferentes épocas”, define a cantora.
A conexão com o Brasil ganha destaque com “Sabiá”, clássico de Tom Jobim e Chico Buarque, gravado por Carminho em 2016. O repertório inclui ainda “O Quarto”, presente na trilha sonora do filme Pobres Criaturas, estrelado por Emma Stone. A relação da cantora com o país é antiga e profunda. Ela já colaborou com nomes como Caetano Veloso, Marisa Monte e Milton Nascimento. Em 2016, lançou o álbum “Carminho canta Tom Jobim”, gravado com músicos que acompanharam o maestro nos últimos anos de sua vida. Mais recentemente, fez parceria com Marcelo Camelo no disco “Portuguesa” (2023) e dividiu os vocais com Caetano em “Os Argonautas”.
“O Brasil é uma segunda casa, um lugar onde não sinto estranheza alguma. Aqui eu me relaciono profundamente com a música. A língua portuguesa é incontornável — é a nossa maior ligação, que nos torna únicos. E por isso há uma pluralidade e uma conexão maravilhosa”, afirma.
No palco do Vivo Rio, Carminho será acompanhada por André Dias (guitarra portuguesa), Flávio Cardoso (viola de fado), Tiago Maia (baixo acústico), Pedro Geraldes (lap steel e guitarra elétrica) e João Pimenta Gomes (Mellotron).


