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Angra apresenta a turnê de 30 anos de “Holy Land”
O Angra confirma apresentação no Rio de Janeiro com a turnê comemorativa dos 30 anos de ‘Holy Land’. Lançado em 1996, ‘Holy Land’ ocupa um lugar central na discografia do Angra. O álbum marcou a expansão artística da banda após a repercussão internacional de ‘Angels Cry’ e apresentou uma sonoridade que aproximou metal melódico, elementos progressivos, arranjos sinfônicos, percussões, passagens acústicas e referências à música brasileira.
A apresentação recoloca esse repertório em perspectiva três décadas depois de seu lançamento. Mais do que celebrar um álbum clássico, a turnê revisita um momento em que o Angra transformou identidade cultural, ambição musical e técnica em uma linguagem própria, contribuindo para projetar o metal brasileiro em diferentes mercados.
A proposta conceitual de ‘Holy Land’ parte do encontro entre culturas indígenas, africanas e europeias durante a formação do Brasil. Esse recorte histórico aparece no álbum como parte fundamental da composição, e não apenas como elemento decorativo. O resultado é uma obra que combina peso, sofisticação e brasilidade em uma narrativa musical ainda reconhecida como uma das mais marcantes da carreira do grupo.
Rafael Bittencourt relembra o contexto criativo daquele período: “Nós estávamos confiantes e impacientes para ir mais longe. Era o momento ideal para experimentar, correr riscos e ultrapassar nossos limites. Éramos jovens, inspirados e tínhamos a rara oportunidade de nos dedicar à música de forma profissional, ao mesmo tempo em que realizamos nosso sonho de reconhecimento internacional. Para expressar quem éramos, tive a ideia de contar a história da descoberta do Brasil, da colonização europeia e de seu encontro com as culturas africanas e indígenas. Durante o período Holy Land, a banda atingiu seu auge, tanto no plano individual quanto coletivo. Nada poderia nos parar. Foi um período fabuloso que jamais esquecerei.”
O repertório ligado ao álbum reúne faixas fundamentais como ‘Nothing to Say’, ‘Carolina IV’, ‘Make Believe’, ‘Z.I.T.O.’, ‘Deep Blue’ e ‘Lullaby for Lucifer’. São músicas que mostram uma banda em plena busca por novas possibilidades, equilibrando virtuosismo, dinâmica, atmosfera e construção narrativa.
A turnê também retoma uma fase diretamente associada a Andre Matos. Sua interpretação e sensibilidade musical foram decisivas para a personalidade de ‘Holy Land’, disco que permanece ligado à memória afetiva de fãs no Brasil e no exterior. Ao revisitar esse período, o Angra reconhece um capítulo essencial de sua história sem deixar de apresentar a força de sua formação atual.
Hoje, o grupo é formado por Alírio Netto no vocal, Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa nas guitarras, Felipe Andreoli no baixo e Bruno Valverde na bateria. A entrada de Alírio marca uma nova etapa para a banda, que passa a interpretar esse repertório histórico com outra configuração, preservando a relevância das canções e reafirmando a continuidade do Angra.
Para Felipe Andreoli, esse momento reforça a capacidade da banda de conectar diferentes fases de sua trajetória: “Em 25 anos, o Angra me permitiu dividir o palco com muitos artistas excepcionais, e isso continua com a chegada de Alírio. Ele é simplesmente um dos maiores cantores que tive a oportunidade de ver, e é um prazer tê-lo agora entre nós. Ele incorpora a música e a cultura brasileiras, ao mesmo tempo em que traz sua própria interpretação teatral, além de um alcance e uma versatilidade incríveis”.
Nesta apresentação, o Angra leva ao público carioca uma celebração que une repertório histórico, memória e uma formação em plena atividade. Três décadas depois, ‘Holy Land’ permanece como uma das obras mais importantes da banda e um ponto de referência para compreender a dimensão internacional do metal produzido no Brasil.


