Maria Bethânia retoma a turnê nacional do elogiado show Amor, Festa, Devoção no Vivo Rio/RJ, dias 12, 13 e 14 (sexta a domingo).
Amor, Festa, Devoção volta à cidade, depois de uma turnê que passou por oito cidades entre novembro e dezembro passado, com ingressos esgotados. A apresentação no Vivo Rio marca a gravação do show em DVD, com direção de André Horta, já parceiro nas gravações de Maricotinha e Brasileirinho.
Aclamado pela crítica de todo o país com adjetivos como “irretocável” e “impecável”, o show é baseado nos dois CDs, Tua e Encanteria, que a intérprete lançou no final de 2009, com 22 canções inéditas. O primeiro, com o título da canção homônima de Adriana Calcanhotto, traz um repertório de canções de amor; já o segundo, de celebração e festa, ganhou o nome de uma das canções e letras de Paulo César Pinheiro presentes no disco.
Como o título do show sugere, amor, festa e devoção são o mote destes dois trabalhos. “São palavras que me dão norte e que têm como subtexto a fé, a esperança e a caridade, características fortes em minha mãe”, explica Bethânia - que dedica o show à Dona Canô.
Com direção e cenário de Bia Lessa, roteiro da própria Bethânia com Fauzi Arap e iluminação de Lauro Escorel, o espetáculo privilegia o repertório dos dois discos. Estão lá as canções que dão títulos aos álbuns mais Santa Bárbara e Feita na Bahia (ambas de Roque Ferreira), Estrela (Wander Le), É o Amor Outra Vez (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro), Você Perdeu (Márcio Valverde e Nélio Rosa), Saudade Dela (Roberto Mendes e Nizaldo Costa) e Doce Viola (Jaime Além), entre outras, ao lado de clássicos de seu repertório como Explode Coração e O Que É, o Que É (ambas de Gonzaguinha), além de É o Amor, numa versão emocionada e graciosa da pérola do repertório de Zezé di Camargo e Luciano. Traz também canções já conhecidas de Chico Buarque (Vida) e de Caetano Veloso - como Dama do Cassino, Drama, Não Identificado, Pronta pra Cantar e Queixa, esta até então inédita na sua voz -, e ainda os textos Olho de Lince, poema de Wally Salomão, e Brasil Caboclo, assinado por ela, que, como uma prece, fala de um Brasil caboclo, ameaçado por um “progresso vazio”.
Para esta reestreia, Bethânia, que completou 45 anos de carreira dia 13 de fevereiro, reserva surpresas para o público, incluindo no show, para complementar o roteiro, algumas canções que estão no disco, mas não entraram na apresentação anterior, e algumas outras já conhecidas.
Neste show Maria Bethânia vem acompanhada de uma banda menor - sob a regência de seu maestro Jaime Alem - que privilegia sua voz, ora com momentos intimistas, em que é acompanhada apenas por violão ou teclados, ora com toda a potência de seu canto arrebatador e dos músicos. Jaime Alem assina os arranjos (e também os violões, viola e guitarra), ao lado de Jorge Helder (baixo e violão), Carlos Cesar (bateria e percussão), Marco Lobo e Reginaldo Vargas (percussão) e Vitor Gonçalves (piano, acordeom e violão).
Num chão salpicado de rosas vermelhas, alternam no cenário um manto também com rosas vermelhas com pequenas luzes internas e quadros com fotos de fachadas de casas populares do interior do Nordeste feitas por Anna Mariana. Retratam a fé, as pessoas e as coisas brasileiras tão presentes no canto desta intérprete que embrenha pela musicalidade de um Brasil remoto, interiorano, caipira, sertanejo, litorâneo, porém repleto de religiosidade. Uma referência a Santo Amaro, à Dona Canô e também à pluralidade dos ritmos no seu canto.