Tunai - "40 anos agora" | 2 NOV | Vivo Rio
MPB | sábado, 02 de novembro. 21h

Tunai – 40 anos agora

MPB | Temporada de 02 de nov a 02 de Nov

Tunai – 40 anos agora

Ingressos à partir de
R$ 40

Sábado, 2 de novembro às 21h
Abertura da casa às 19h

Gênero
MPB

Classificação etária
18 anos

Horários

  • sábado, 02 de novembro, 21h

Tunai se sentindo pra lá de feliz com todos os seus discos “guardados” desde 1980 e agora disponíveis nas plataformas digitais!

Tunai

Além de um mestre da canção, com dezenas de clássicos no currículo, Tunai é um apaixonado por números e datas redondas. O que reforça o simbolismo de “Caderno de lembranças”, seu novo álbum de inéditas em 15 anos – o anterior, o independente “Dança das cadeiras”, tinha saído em 2004. Ele chega às plataformas de streaming (e também no formato físico, CD digipack) no momento em que comemora quatro décadas de carreira. Foi em 1979 que o então jovem compositor de Ponte Nova (MG) começou a ser conhecido nacionalmente graças a “As aparências enganam”, parceria com seu letrista mais frequente, Sérgio Natureza, gravada e lançada por Elis Regina no disco “Essa mulher”.

O impacto desse clássico instantâneo abriu as portas da indústria do disco para o cantor e compositor mineiro, que emplacou nos anos seguintes diversos sucessos radiofônicos em seus discos solo ou nos de artistas como Milton Nascimento (também seu parceiro em “Certas canções”,  “Rádio experiência” e “Mar do nosso amor”), Nana Caymmi, Gal Costa, Zizi Possi, Simone, Jane Duboc, Elba Ramalho, Ivete Sangalo, Emílio Santiago, Maria Rita, Ney Matogrosso, Beto Guedes, Fafá de Belém e Sérgio Mendes. Às composições citadas acima, somam-se, entre outras, “Eternamente”, “Frisson”, “Olhos do coração”, “Trovoada”, “Sintonia”, “Sempre na mira” e “Sobrou pra mim”. Nelas, melodias e letras convivem em perfeita harmonia, passando por baladas, blues e pop. Sonoramente, nos discos que gravou nos anos 1980, Tunai fez o mais refinado pop radiofônico, o chamado AOR (a sigla para “Adult-Oriented Rock”, estilo que voltou a ser valorizado nos últimos anos e que no Brasil tem Ed Motta como um dos seus maiores entusiastas e praticantes).

“Caderno de lembranças” mostra que pena, voz, dedos, ideias continuam afi(n)ados. Gravado no início desse incerto 2019, entre janeiro e março, no Estúdio Botânico (Rio/RJ), o álbum foi idealizado e produzido por Tunai, que também assina a direção musical e os arranjos. Estes têm como fio condutor seu violão. Ou melhor, quatro dos pinhos especiais que mantêm em sua volta: um Washburn EC41N 90’s, uma guitarra acústica Gibson Chet Atkins 1979, um Di Giorgio Fora de Série 1976 e um San Lorenzo 1946 se alternam através das gravações.

São nove canções inéditas. Da recentíssima “Solidão blues” (feita em janeiro passado, a partir do poema que recebeu de um novo parceiro, Marcos Moussalen) a oito belezas armazenadas em seu baú – “Nuances”, a mais antiga veio também do emblemático 1979 (essa balada é outra que tem como base um poema, da conterrânea e premiada escritora Thaís Guimarães). Em meio a esses extremos no tempo, as três com letra de Sérgio Natureza foram feitas entre 2008 (“Maior que a vida”) e 2013 (“Mãe das mães”, hino religioso mirando a Jornada Mundial da Juventude que então rolou no Rio de Janeiro); sendo que a que dá título ao álbum estava guardada desde 2010. Agora, como uma das “folhas arrancadas”, a balada “Caderno de lembranças” sintetiza conceito e espírito do disco, sensações eternas, que tempo algum apaga.

Três diferentes parceiros estimularam Tunai a passear além da zona de conforto de baladas e blues. Na abertura do disco, “Você olha” é um bolero que fez com Claudio Rabello em 2004; o samba “Entre o anjo e a serpente” nasceu em 2008 após um encontro com o vizinho Carlos Colla numa feira livre de Laranjeiras; enquanto um poema de Salgado Maranhão, “Vício de amar”, levou-o aos ritmos nordestinos.

Fechando a sequência autoral, o blues-rock “Bala perdida” é outra canção-síntese do novo disco. Vale como antídoto para esses tempos de obscurantismo que se abatem sobre o Brasil e, em sua frase final, cita sutil e certeiramente os Beatles: “help me!”. Essa forte canção de protesto, que tem letra do próprio Tunai, sai aqui em versão “Radio edit”. A primeira, um minuto mais longa, foi lançada em maio de 2018, como um dos cinco singles inéditos que marcaram sua estreia nas plataformas de streaming – ao lado de “Lilá”, “Sina de amor”, “O menino Fernando” e “A tal profecia”.

Ainda no estúdio, ele homenageia o irmão quatro anos mais velho, recriando “Corsário” (João Bosco e Aldir Blanc). Por fim, duas faixas-bônus ao vivo reforçam a veia de celebração do disco. Elas foram registradas no SESC Taubaté (SP) durante a passagem da turnê e tributo a Elis Regina que ele tem feito em duo com Wagner Tiso desde junho de 2012, quando estreou no Tom Jazz (SP) – até o momento já foram quase 150 apresentações por todo o país. Em data emblemática, 17 de março de 2016, noite em que a cantora estaria completando 71 anos, Tunai usa o trecho final de “As aparências enganam” para contar ao público do aniversário. Em seguida, também reverencia Milton Nascimento: com o sucesso que fizeram juntos, “Certas canções”, e outro clássico que fez parte do repertório de Elis, “Maria, Maria” (Milton Nascimento e Fernando Brant).

Antônio Carlos Miguel (jornalista especializado em música há mais de 40 anos, ACM é membro votante do Grammy Latino; autor do livro Guia de MPB em CD (1999),; co-autor de “Morro da Urca: Estação da Música” (2013), “MPB: A alma do Brasil” (2008) e “25 anos Prêmio da Música Brasileira” (2014);  colaborador nos livros “A vida louca da MPB” (Ismael Caneppele, 2016) e “101 canções que tocaram o Brasil” (Nelson Motta, 2016).

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